Sobre a verificação no Twitter

Devido a acontecimentos flagrantes no processo de verificação de contas, o Twitter decidiu suspender o mesmo, pelo menos até encontrarem melhores métodos.

Além de meramente indicar que a pessoa por detrás da conta é quem diz ser, o ícone azul de verificação terá passado também a representar um estatuto de celebridade, protagonismo, fama… enfim, de confiança para a rede, geralmente atribuído a contas com maior autoridade.

No fundo, tornou-se um [falso] indicador de relevância de conteúdo. Ou seja, não é por estar verificado que o que partilho se torna automaticamente interessante.

Há claramente um problema com o método utilizado até muito recentemente, e é sensato esperar da rede social que a mesma actualize este processo, oxalá para melhor.

Não obstante, existem vários factores a ter em conta, e questões que poderão colocar-se no que diz respeito a quem está por trás de uma conta na rede social.

Eis algumas ideias e questões sobre o tema…

Verificação obrigatória para todos

A verificação do email é essencial e deveria ser obrigatória.

Já há demasiada fraude online, e as redes sociais como o Twitter ou Facebook não podem fechar os olhos às inúmeras contas falsas que são criadas para este efeito.

Um segundo passo, como uma verificação móvel é igualmente importante… no entanto, caso se opte por considerar que o utilizador pode não querer ou poder utilizar um número móvel, há que garantir outro(s) elemento(s) pertinentes de verificação.

Em qualquer caso, tem de haver um segundo passo de verificação além do email.

Apenas um endereço de email é insuficiente: o mesmo utilizador pode simplesmente criar várias contas de email (Gmail, Yahoo, Hotmail, etc.), para posteriormente abrir múltiplas contas de Twitter… não associadas, o que tornaria esta verificação com critério único falível e irrelevante.

Múltiplas contas

Questão: pode a mesma pessoa ter mais do que uma conta?

Em caso negativo. Há um custo de oportunidade para a própria empresa, uma vez que arrisca-se a perder utilizadores e tráfico, já que muita gente prefere manter duas contas: uma pessoal, e outra profissional.

Em caso afirmativo. Sejam quais forem os métodos de verificação (e até categorização?) de contas, estes terão de assegurar que existe um ser humano que gere as contas. Será apenas uma questão de 2 níveis hierárquicos de conta? Ou seja, e por exemplo, a primeira conta que abro é, por definição, a conta-mãe. Se abrir contas adicionais, seriam sub-contas. E para qualquer sub-conta que abra poderia até escolher se quero que a mesma apareça indicada na conta-mãe (se verificada) ou não. Na sub-conta, no entanto, seria obrigatório indicar a conta-mãe.

Poderia também haver um custo de oportunidade para quem não verificasse a conta, considerando a hipótese da rede fazer disso algo opcional. Um exemplo deste tipo de cenário:

  • Contas não verificadas não podem responder a tweets ou fazer retweet com comentário, de conteúdo de contas verificadas. Poderiam segui-las, no entanto, e fazer um retweet simples.
  • Apenas em relação a contas não verificadas, as mesmas podem responder e comentar o que quiserem entre elas.
  • Contas verificadas não vêem o conteúdo de contas não verificadas.
  • Etc.

Portanto, caso estejam assegurados os métodos e passos de verificação, não vejo nenhum problema em que uma pessoa possua várias contas… consequentemente, novos temas aparecem na mesa.

Contexto, ou propósito, das contas

É expectável que uma pessoa não queira incluir na mesma conta conteúdo que ande sempre à volta da sua profissão e/ou áreas de interesse. Também é expectável que, por exemplo, um músico tenha uma conta pessoal, e outra para a sua banda.

Ao abrir-se uma conta no Twitter, poderia ser perguntado ao utilizador qual o cariz principal da mesma: pessoal, profissional individual, profissional “colectiva” (ou instituição, blogue, etc.), e outras potenciais opções.

Contas “bot” são contas cujo comportamento é programado, independente, e portanto autónomas, até certo ponto. Têm habitualmente cariz público e informativo (como por exemplo a do Fogos.pt), artístico, cultural, histórico, humorístico, político… e também podem ter objectivos dissimulados e até perigosos, no sentido em que influenciam a opinião pública.

Estas contas bot deveriam portanto ser incluídas no “Twitter das sub-contas”, e se o utilizador que criou o bot está verificado, a conta seria também verificada.

Na conta-mãe, o utilizador poderá optar por mostrar associação ou não à conta bot.

Embora haja muito espaço para discussão neste tópico, não me resta senão concordar com a Zeynep Tüfekçi:

“Verificação é a nova anti-censura,” afirma.

Poder-se abrir inúmeras contas em redes sociais de forma não verificada torna-se um problema e, sublinhe-se, possibilita o abuso online.

Isto não tem necessariamente de estar relacionado com o tema da privacidade dos dados pessoais, pelo menos na abordagem de segurança e verificação de contas no Twitter. É possível a verificação, mantendo a privacidade.

O que algumas pessoas poderão ainda não ter digerido completamente é que a vida digital é a vida real.

Redes sociais como o Twitter têm de melhorar os seus mecanismos de segurança e autenticação, onde indubitavelmente se inclui este tema da verificação de utilizadores.

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